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Saudade

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12 12UTC agosto 12UTC 2012 por La lente violeta

En portugués hay una palabra que me encanta: saudade. Es algo parecido a la melancolía, pero una especie de melancolía agradable que nos reconforta; esa que acompaña a los buenos recuerdos, esa que nos desborda cuando estamos solos/as y una canción, una película, una frase, un olor, un sabor o un rayo de sol pegándonos en la cara nos transporta repentinamente a otro momento, a otro lugar, con otra gente…

No sabemos a qué se debe ni por qué nos asalta así, de repente, pero en un instante se abre una enorme puerta de la memoria y nos gustaría que esa parte del pasado y el presente fueran un todo y que pudiéramos rescatar a nuestro antojo algunas partes, las más bonitas…

Y aunque no se puede, al final siempre esbozamos una sonrisa, porque el pasado no vuelve, ni siquiera aunque volvamos a cruzar nuestros caminos con personas que formaron parte de él, pero sí podemos alegrarnos por haberlo vivido y por conservar toda la magia de otros días que no fueron mejores ni peores, pero fueron nuestros.

Yo siento saudades continuamente. Melancolías y anhelos de pasado y de futuro. Saudade de los amigos y amigas que están lejos y de los que están cerca y me gustaría ver más; saudade de mi México adorado; saudade de viajes ya hechos y pasos ya dados; saudade de un Estado español distinto en el que no se recorten derechos ni libertades; saudade de unos medios de comunicación constructores de paz; saudade de una sociedad sin violencia y sin machismo; saudade de justicia y economía social; saudade de otro mundo posible…

Estas son mis saudades y así describía las suyas Clarice Lispector:

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades…

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro…

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências…

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que…
não sei onde…
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi…

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês…
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados…
para contar dinheiro… fazer amor…
declarar sentimentos fortes…
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
“I miss you”
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades…
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência…

 

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2 pensamientos en “Saudade

  1. Angels dice:

    AIxxxx….Yo viví 6 años en Brasil y aprendí que saudade no tiene traducción exacta en otra lengua (al menos que yo sepa) sin embargo no hay palabra que defina mejor ese apretón en el pecho a medio camino entre el dolor y lo “gostosso”. Hay una canción de María Betanhia que empieza ” estou com saudade de tú meu desejo, estou com saudade do beijo de mel, do teu olhar carinhoso, d teu abraço gostosso”…..me encanta.!!!! Además tienes razón, hay infinitas saudades, de lo vivido y lo no vivido. Un placer leerte, como siempre

  2. […] comiendo y bebiendo en amistad y concordia. La fiesta reconcilia todas las cosas y nos devuelve la saudade del paraíso de las delicias, que nunca se perdió totalmente. Platón sentenciaba con razón: […]

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